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A Mostra

“O cantautor tem uma missão muito importante: é ele quem revela a alma de um povo”
− Ceumar

“É muito importante focalizar a figura do compositor de canções”
− Zé Miguel Wisnik

“É um evento que fortalece a articulação da música criativa no Brasil e no mundo”
− 
Sergio Santos

Figura indispensável à cultura, o cancionista que entoa suas próprias obras sempre teve um lugar privilegiado na história das civilizações. Os artistas solitários da palavra cantada carregam em sua música uma infinidade de narrativas, atualizando as mitologias urbanas e os valores de uma sociedade. Feito “antenas da raça”, artesãos do sensível, captam no ar as vibrações do afeto humano e as materializam em melodias e versos. Seja nos arrojados estilhaços estéticos propostos pela canção com traços acadêmicos, ou nos populares refrões que sintetizam sentimentos geracionais e são cantados por multidões, o cantautor é o mago que modela o som na palavra, a palavra no tempo, a alquimia dos ritmos e das alturas. Transporta afetos indispensáveis à nossa atmosfera simbólica, e é por isso mesmo o rústico guardião de uma avançada tecnologia musical: o duo que tem consigo mesmo, cantando e tocando ao som de um único instrumento. A voz do cantautor nunca está só: ela é o espelho de toda uma comunidade

A MOSTRA CANTAUTORES BH é um encontro intimista de criadores
da canção contemporânea e tem por conceito-base a realização
de apresentações solo, em que cantores-compositores tocam suas canções em formato bruto, acompanhados apenas por seu instrumento.

A 6ª edição do projeto se realiza através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte com patrocínio da UNI-BH e apoio cultural da Funarte MG, BDMG Cultural, Rede Minas e Rádio Inconfidência.

Nesse ano, temos o prazer de convidá-lo para participar de uma semana de mergulho na canção, que além de apresentar 16 artistas em suas múltiplas expressões realiza também uma programação de debates e atividades diurnas.

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PROGRAMAÇÃO

06 MAI

Sábado | noite de abertura
tEATRO BRADESCO

18h

VITOR RAMIL (RS)


ABERTURA

JENNIFER SOUZA (MG)

21h

CHICO CÉSAR (PB)


ABERTURA

LUIZ GABRIEL LOPES (MG)

09 MAI

terça-feira
IDEA CASA DE CULTURA

20h

ZÉ MANOEL (PE)

21h30

TIM BERNARDES (SP)

10 MAI

Quarta-FEIRA
funarte mg

20h30

ILESSI (RJ)


PAULO ROCHA (MG)

11 MAI

QUINTA-FEIRA
funarte mg

20h30

LEOPOLDINA (MG)


SERGINHO BEAGÁ (MG)

12 MAI

SEXTA-FEIRA
funarte mg

20h

DEH MUSSULINI (MG)


LENNA BAHULE (MOÇAMBIQUE)

13 MAI

SÁBADO | Noite encerramento
funarte mg

18h

ALZIRA E (MS)


ABERTURA

SARA NÃO TEM NOME (MG)

21h

NELSON ANGELO (MG)


ABERTURA

ALEXANDRE ANDRÉS (MG)

ATIVIDADES EXTRAS | ACESSO GRATUITO

Encontro com o compositor

VITOR RAMIL (RS)


Mediação

LUIZ GABRIEL LOPES

(Mostra Cantautores)

Encontro com o compositor

NELSON ANGELO (MG)


Mediação

PABLO CASTRO

Debate

Essa é pra tocar no rádio?

Com Patrícia Palumbo

Flávio Henrique

João Paulo Cunha

Lucas Simões


Mediação

LUIZ GABRIEL LOPES

Curadoria

Com a atenção sempre voltada à decifração dos complexos mapas que a canção popular desenha no Brasil e no mundo contemporâneos, a Mostra Cantautores BH chega à sexta edição.

Reconhecemos como necessário todo e qualquer estímulo no sentido da criação de novas escutas para a música popular, uma vez que os poderes ancestrais da palavra cantada vêm sendo sistematicamente instrumentalizados por instâncias em tudo alheias a seu mistério alquímico.

Embora assumamos que tal intuição, algo visionária e mística, nos lance em cheio no seio de mistérios indizíveis – o que, levado às últimas conseqüências, tornaria impossível a explicitação de nossos critérios seletivos – , procuramos conjugar esse elemento “misterioso” com os engates que os artistas selecionados para esta mostra têm feito com o tempo presente.

Firmemente fincados neste momento histórico, neste contexto social e, ao mesmo tempo, abandonados ao encantamento da palavra cantada, coube-nos lançar alguma luz sobre este grupo específico de obras. Proposição histórica ou vertigem visionária: o fato é que nos pareceu que parte significativa do caminho mais interessante da produção cancional de hoje está sendo trilhada pelos cantautores selecionados.

Talvez a tal “vertigem visionária” possa ser melhor compreendida se decupada em algumas linhas mestras que têm norteado nossa busca desde a primeira edição do festival: personalidade vocal, em que se note uma assinatura estilística autêntica, distante de modelos hegemônicos pré-estabelecidos pela mass media; a consistência do trabalho de harmonia, melodia e letra, no sentido de uma organicidade da forma proposta, seu equilíbrio e solidez; a trajetória e a representatividade do cantautor, entendendo a inserção de sua obra no circuito, suas conexões e diálogos estabelecidos, bem como as ressonâncias políticas de seu trabalho. Como critério geral, alicerce da programação como um todo, vale ressaltar nossa atenção aos possíveis enlaces e diálogos entre os campos estéticos dos artistas, na tentativa de uma cartografia diversa e propositiva.

Outros critérios, como a amplitude de representações geracionais e regionais no cartaz, bem como a valorização de artistas em diferentes momentos da carreira, também fizeram parte do debate. É importante mencionar que a curadoria buscou estar atenta à diversidade de expressões e às múltiplas filiações na árvore genealógica da canção popular brasileira, na busca pelo mapeamento de outras historiografias possíveis.

Pela segunda vez, num ímpeto de expansão de territórios estéticos, abrimos uma convocatória para recebimento de material. Por esta via nos chegaram nada menos que 251 inscrições, de variadas regiões do Brasil e do mundo. Daí em diante, foram meses de trabalho, horas de escuta e debate para construir a programação final, com 16 artistas.

Diante de tamanha riqueza (afinal, não pudemos selecionar todos os grandes cantautores que nos enviaram material), escolhemos insistir numa organização em categorias que nos norteia já há alguns anos, a saber:

Categoria: local

artistas residentes e ou atuantes na cena de MG

Vagas: 4

Nessa categoria, procuramos privilegiar trabalhos que, já com alguma representatividade na cena mineira, sinalizem direções composicionais autênticas. Na costura entre veteranos como Leopoldina e Serginho Beagá, representantes de linhagens já sólidas da música que se faz em Minas, e compositores mais jovens como Deh Mussulini e Paulo Rocha, cremos ter conseguido esboçar um panorama peculiar da produção local atual.

Categoria: nacional

artistas residentes e ou atuantes fora da cena de MG

Vagas: 5

Mais uma vez tentamos esboçar um mapa compromissado com a diversidade, dos pontos de vista estético, geográfico e geracional. Figuram aqui o pernambucano Zé Manoel, a carioca Ilessi e o paulistano Tim Bernardes, representantes da nova safra, lado a lado de dois nomes já historicamente reconhecidos por suas trajetórias: a matogrossense radicada em São Paulo Alzira E, que em sua trajetória contabiliza colaborações com figuras como Itamar Assumpção, Alice Ruiz e Arnaldo Antunes; e o mineiro radicado no Rio, Nelson Angelo, nacional e internacionalmente celebrado por sua incessante inventividade harmônica e melódica.

Categoria: internacional

artistas residentes e ou atuantes em cenas fora do Brasil

Vagas: 1

Atentos a elementos geopolíticos, geográficos e linguísticos que nos constituem culturalmente, temos dado ênfase à lusofonia e à identidade latinoamericana como critérios privilegiados na escolha do nosso convidado internacional. Assim, já passaram pela programação os argentinos Edgardo Cardozo e Juan Quintero, representantes de uma rica linhagem de autores de alto prestígio no país vizinho, e o português JP Simões, cuja obra dialoga não apenas com a tradição de seu país mas também com as raízes da bossa nova e, mais recentemente, do folk anglo-saxão.

Neste ano, pela primeira vez voltamos os ouvidos para a música de raízes luso-africanas, trazendo a moçambicana Lenna Bahule, cuja singular corporeidade vocal imprime no panorama  do cartaz uma temperatura especial.

Categoria: headliner

artistas, veteranos ou não, com amplo reconhecimento de público e crítica

Vagas: 2

Os artistas que abrem e encerram a Mostra definem, em alguma medida, um recorte sintético da proposição lançada pelo festival, a cada ano. Encarnam qualidades que consideramos relevantes e pertinentes para o cenário hoje, em termos estéticos e  políticos.

Neste ano, o festival tem o orgulho de trazer como headliners dois nomes icônicos da canção popular brasileira pós-tropicália: o gaúcho Vitor Ramil e o paraibano Chico César – artistas de trajetórias nômades, que materializam de formas distintas uma espécie de pêndulo diaspórico, de distância e retorno a seus lugares de origem, fora do chamado “eixo”. Suas obras instauram uma dialética entre pertencimento e desterritorialização. E é assim que eles têm estabelecido insuspeitadas conexões, ludicamente redefinidoras do que é permanecermos brasileiros em plena contemporaneidade.

Resta-nos, por fim, comentar os quatro pocket shows de abertura dos headliners, escolhidos a partir da lista dos artistas que já passaram pela programação. Após 6 anos de trabalho “do outro lado do balcão”, regidos pela afinidade estético-político-afetiva com Vitor Ramil e Chico César  respectivamente, os organizadores do festival,  Jennifer Souza e Luiz Gabriel Lopes, voltam à baila; Alexandre Andrés abre alas para Nelson Angelo, numa celebração da verve villa-lobiana que torna a canção brasileira ímpar no mundo em matéria de densidade e lirismo; Sara Não Tem Nome faz as honras para Alzira E, trazendo ao palco um diálogo entre gerações atravessadas pelo diálogo com a música folk, punk e rock, em seus inúmeros desdobramentos.

Por fim, esperamos, com a publicação deste texto e o detalhamento dos parâmetros que nortearam a nossa seleção, encarnar uma curadoria cada vez mais crítica e franca, atenta à movimentação da cena e aberta ao diálogo. Pois é justamente no ímpeto de não permitir que a música popular brasileira se norteie exclusivamente pelos rigores do mapa e do calendário, nem tampouco se deixe dobrar ante os ditames que regem os negócios do mainstream, que surgem iniciativas como a Mostra Cantautores. A formação de novos circuitos onde a escuta possa se exercer de modo livre é imperativa em nossos tempos, justamente porque eles são outros tempos.

Equipe de curadoria 6ª Mostra Cantautores BH

Luiz Gabriel Lopes, Jennifer Souza, Juliana Perdigão, Gustavito e Thiago Amud

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CONTATO

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Ficha Técnica

Realização Mostra Cantautores
Idealização e direção artística Jennifer Souza E Luiz Gabriel Lopes
Curadoria Juliana Perdigão, Thiago Amud, Gustavito, Luiz Gabriel Lopes e Jennifer Souza
Coordenação geral Jennifer Souza
Coordenação de comunicação Luiz Gabriel Lopes
Produção executiva Clarisse Salles
Produção Jennifer Souza, Luiz Gabriel Lopes e Joyce Cordeiro
Assistência de Produção Thiago Sá
Projeto gráfico Maracujá
Produção audiovisual Coletivo Imaginário e Estúdio Motor
Produção musical Estúdio Frango No Bafo
Luz Wellington Santos
Som Bruno Corrêa
Foto Pablo Bernardo
Mídia social Oui Chérie Assessoria
Assessoria de comunicação Contra Regras Comunicação e Produção
Prestação de contas e gestão financeira Diana Gebrim
Site Pedro Leitin